segunda-feira, 9 de julho de 2012

Problema da falta de abastecimento de água na cidade prejudica empresas da construção civil


Há alguns meses não é só a população mossoroense que vem sofrendo com o problema de abastecimento de água, o ramo da construção civil tem sido afetado diretamente pela falta de água. Segundo as empresas de construção do município, para não haver paralisação das obras estão sendo contratados carros-pipas para manter o abastecimento regular do líquido precioso.
O gerente administrativo de uma empresa de construção, Marcos Henrique, disse que o problema de abastecimento de água têm atrapalhado o andamento das obras. "Há algum tempo estamos sentindo os efeitos da falta de água, principalmente no final de junho e início de julho, quando o abastecimento foi comprometido devido a problemas mecânicos nos poços".
Ele complementa dizendo que uma das formas encontradas para contornar a situação foi a contratação de carros-pipas. "Ainda é início do mês e já gastamos R$ 256 com a compra de água. Nossos gastos têm sido dobrados, pois pagamos a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) e ainda temos que contratar fontes alternativas de água. No momento não estamos racionalizando o líquido e não suspendemos nossas atividades, no entanto, se a situação se tornar mais grave teremos que buscar novas alternativas para solucionar o problema", declara.
Nos serviços de construção civil, embora a água não seja vista e nem tratada como material de construção, o consumo é bastante elevado. Por exemplo, para a confecção de um metro cúbico de concreto gasta-se em média de 160 a 200 litros e na compactação de um metro cúbico de aterro podem ser consumidos até 300 litros de água.
O pedreiro Antônio Edson também relatou que está tendo dificuldades para realizar seu trabalho devido à insuficiência do fornecimento de água na região. "Há dias em que a gente não pode trabalhar porque está faltando água para podermos preparar o cimento e a argamassa. Muitas vezes temos que esperar o reservatório de água encher para começar o serviço, o que acaba atrasando a construção. Ainda não perdi oportunidades de trabalho, pois os contratantes providenciam a compra da água".
Pesquisadores no ramo da engenharia civil alertam que para evitar os problemas decorrentes da escassez de água é importante que as empresas comecem a pensar em formas alternativas de se obter o líquido, tais como captar a água proveniente da chuva ou realizar a dessalinização da água oriunda do mar.
De acordo com pesquisadores, a economia de água nos canteiros deve estar fundamentada na sustentabilidade, entretanto os fatores econômicos ajudam a impulsionar esta necessidade, já que o crescimento da construção civil tem elevado a demanda de água. Com a baixa oferta do insumo, o custo da água tende a aumentar cada vez mais, elevando ainda mais o custo total do empreendimento.
Caern toma medidas para regularizar fornecimento de água

Há aproximadamente um mês diversas regiões de Mossoró vêm sofrendo com a falta de água, entre eles estão os conjuntos habitacionais Vingt Rosado, Abolição III e IV, e os bairros Costa e Silva, Belo Horizonte entre outros. O gerente da Caern, Neilton Barreto, informou que algumas medidas estão sendo tomadas com o objetivo de regularizar a situação do abastecimento de água no município.
"Existe um projeto em andamento para solucionar o problema de água no município. Este é dividido em duas etapas. A primeira delas ocorre com a substituição da rede de fornecimento de água, isto é, mudança da encanação. E a segunda consiste em trazer água da adutora de Apodi para Mossoró. Após a aprovação da Caixa Econômica, daremos início ao processo de licitação para escolha da empresa responsável pelo serviço. A previsão de conclusão do projeto é de 18 meses".
Ele ainda explicou que no momento para tentar manter o abastecimento de água na região sob controle, a Caern tem trabalhado para adquirir novos equipamentos para serem instalados nos poços. Outra medida tomada pela Caern para regularizar a situação de água no município é a construção de três reservatórios elevados, ou seja, caixas de água para fornecer o líquido para toda a cidade.
"Demos entrada em um processo emergencial para consertar os poços, para isso estamos providenciando a compra de equipamentos novos. A dificuldade encontrada para adquirir os aparelhos é apenas burocrática, mas daqui a 2 ou 4 meses, esta situação já estará regularizada", disse.

*Jornal O Mossoroense

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